SEJA BEM-VINDO À NOSSA LOJA!

CONTATO | (11) 3074-0110 | ENTRAR

Um Café Italiano, Por Favor!

Não faz tanto tempo assim desde que eu vim parar nesse mundo, mas conto que um quarto da minha vida eu já passei atrás de um balcão de cafeteria. Já me pediram café de todas as formas: ‘pingado’, ‘média’, ‘curtinho’; as vezes nem precisa falar, basta um sinal de mão apressado e eu já sei o que vai na xícara.

Mas, confesso, ainda me surpreendo com alguns pedidos digamos, não-usuais.

Um rapaz entra na cafeteria, vem em direção ao balcão do bar e, com toda segurança do mundo me pede: “um café italiano, por favor”.

Bom, tenho à disposição os cafés dos mais diversos: o etíope, o salvadorenho, o colombiano, o mineiro, mas com certeza não tenho o italiano.

Talvez seja por que, apesar da fama de ‘povo do café’, a Itália produz zero kilos de café. Também pudera, o clima lá é bastante frio na maior parte do ano, inviável para essa planta tropical.

Certo, qual bebida estão me pedindo então?
A levar pelo nome, pode ser qualquer um dos Cappuccinos, Macchiattos ou Lattes que estão no cardápio: todos parecem ser italianos!
Há pouco mais de um século, os lombardos inventaram a máquina de espresso, por este motivo, toda a nomenclatura dentro de um bar de café é na língua mãe deles.
Mas vamos falar sério: a bebida que mais merece este título é o espresso. Porque? Porque na Itália quase 90% do café é bebido deste modo, claro, considerando suas variações.

O espresso é uma bebida intensa, aromática, encorpada; a pressão utilizada pra se extrair uma xícara chega normalmente em 9-10 vezes a pressão da atmosfera, isso pra derramarmos 30ml de bebida na xícara!
Este volume aliás, não é exclusividade dos italianos, é um padrão internacional pra cafés de qualidade: demonstra que a relação entre café, água, tempo de extração entre outros fatores foi bem estabelecida na hora do preparo para extrair o melhor que o grão pode nos oferecer.
Costumamos dizer que o espresso é uma lente de aumento sob o café: se a matéria prima é boa, os atributos serão ressaltados, se é ruim, ficará intragável.

Diferente do brasileiro, que geralmente busca beber em quantidade, o italiano procura por uma bebida mais intensa, encorpada. Até mesmo quando está em casa, opta por preparar seu cafezinho na moka, a famosa ‘cafeteira italiana’, que utiliza a pressão da água para produzir uma bebida intensa e com bastante resíduo, do jeito que a nonna gosta.

O que muda por lá é o local aonde você está pedindo o café, se for em Milão, ao norte, provavelmente te servirão grãos do tipo arábica, com uma torrefação no estilo Terceira Onda (mais clara), pra potencializar as características do terroir de onde vieram.

Se você está em Roma, no centro da península, o café vem com torra mais escura, com sabores de açúcar queimado e já é mais fácil de encontrar grãos do tipo robusta na mistura.

O robusta produz mais quantidade de crema, que é o que agrada o paladar dos úmbrios e lácios.

Agora, se você está em Nápoles, espere por um café de torra bem escura, um líquido negro e intenso, com um sabor forte de tostado. Aqui também será difícil encontrar os arábicas, a maioria dos consumidores do sul da Itália optam por um robusta bem encorpado e amargo!

Mas todos os italianos concordam: o jeito certo de consumir é o caffè al bar –pedir um espresso no balcão da cafeteria e beber em um só gole – um ato que já está tão enraizado na  cultura gastronômica dos italianos quanto o arroz e feijão na mesa do brasileiro.

O café faz parte do dia-a-dia na Itália, é uma forma de as pessoas se conectarem umas com as outras. Não existe o café italiano, existem vários, e a melhor forma de aprecia-lo é do seu jeito.
Converse com o barista, com certeza ele vai saber encontrar algo que te seja piu bello.

Ah, o rapaz no balcão? O que ele bebeu? Naquele dia preparei um Cappuccino. Italianíssimo. Mas essa bebida tem tanta história quanto o Império Romano, fica pra próxima.

Ciao!

Deixe um Comentário